Por Elisabete Santana | 10 de setembro de 2011 - 12
Em: Dalai Lama

Sua Santidade o XIV Dalai LamaO que o Sr. sentiu ao ser reconhecido como o Dalai Lama? O que achou que tinha acontecido com o Sr.?

Sua Santidade o XIV Dalai Lama - Fiquei imensamente feliz. Gostei muito. Mesmo antes de ser reconhecido, dizia à minha mãe que um dia eu iria à Lhasa.  Eu ficava “montando” o parapeito de uma janela imaginando que era um cavalo e que eu estava cavalgando rumo à Lhasa. Eu era bem pequeno nessa época, mas me lembro muito bem disto. Tinha muita vontade de conhecer a capital.

Outra coisa que não mencionei em minha autobiografia é que, logo após o meu nascimento, um casal de corvos fez um ninho no telhado de casa. Todas as manhãs, eles chegavam, permaneciam por um tempo e iam embora. Foi um fato significativo e eventos similares aconteceram no nascimento do I, VII, VIII e XII Dalai Lama. Após o nascimento deles, um casal de corvos vinha e ficava por um tempo. No meu caso, no início, ninguém deu importância ao fato. Recentemente, há uns três anos, estava conversando com minha mãe e ela lembrou deste episódio. Ela observou que os corvos chegavam na parte da manhã e iam embora após um tempo. O mesmo acontecia na manhã seguinte e assim por diante.

Na noite após o nascimento do I Dalai Lama, ladrões entraram na casa da família. Os pais da criança fugiram e a deixaram para trás. No dia seguinte, voltaram ansiosos para saber o que tinha ocorrido com o filho e o encontram num canto da casa e ao lado havia um corvo vigiando e protegendo a criança. Mais tarde, quando o I Dalai Lama cresceu e desenvolveu sua prática espiritual, durante uma meditação ele teve contato direto com uma divindade protetora, Mahakala, que lhe disse: “Alguém como você, que defende os ensinamentos budistas, precisa de um protetor como eu. No dia do seu nascimento, eu o ajudei”. Como podemos ver, é óbvio que existe uma ligação entre o Mahakala, os corvos e o nascimento dos Dalai Lamas.

Outra coisa que aconteceu e que minha mãe se lembra muito bem é que logo após eu ter chegado à Lhasa, eu disse que meus dentes estavam guardados numa caixa no Palácio de Norbulinka. Quando abriram a caixa, encontraram um par de dentaduras que havia pertencido ao XIII Dalai Lama. Apontei para a caixa e disse que meus dentes estavam lá dentro, mas não me lembro deste episódio. As memórias recentes associadas a este corpo físico são mais fortes. O passado se tornou pequeno, mais vago. A menos que eu me esforçasse muito para lembrar dessas coisas do passado, mas não me recordo.

Tradução: João Moris

Texto original  (em inglês)

What were your first feelings on being recognized as the Dalai Lama? What did you think had happened to you?

His Holiness The 14th Dalai Lama – I was very happy. I liked it a lot. Even before I was recognized, I often told my mother that I was going to Lhasa. I used to straddle a window sill in our house pretending that I was riding a horse to Lhasa. I was a very small child at the time, but I remember this clearly. I had a strong desire to go there. Another thing I didn’t mention in my autobiography is that after my birth, a pair of crows came to roost on the roof of our house. They would arrive each morning, stay for while and then leave. This is of particular interest as similar incidents occurred at t he birth of the First, Seventh, Eighth and Twelfth Dalai Lamas. After their births, a pair of crows came and remained. In my own case, in the beginning, nobody paid attention to this. Recently, however, perhaps three years ago, I was talking with my mother, and she recalled it. She had noticed them come in the morning; depart after a time, and then the next morning, come again. Now, the evening the after the birth of the First Dalai Lama, bandits broke into the family’s house. The parents ran away and left the child. The next day when they returned and wondered what had happened to their son, they found the baby in a corner of the house. A crow stood before him, protecting him. Later on, when the First Dalai Lama grew up and developed in his spiritual practice, he made direct contact during meditation with the protective deity, Mahakala. At this time, Mahakala said to him, Somebody like you who is upholding the Buddhist teaching needs a protector like me. Right on the day of your birth, I helped you.  So we can see, there is definitely a connection between Mahakala, the crows, and the Dalai Lamas.
Another thing that happened, which my mother remembers very clearly, is that soon after I arrived in Lhasa, I said that my teeth were in a box in a certain house in the Norbulinka. When they opened the box, they found a set of dentures which had belonged to the Thirteenth Dalai Lama. I pointed to the box, and said that my teeth were in there, but right now I don’t recall this at all. The new memories associated with this body are stronger. The past has become smaller, vaguer. Unless I made a specific attempt to develop such a memory, I don’t recall it.

Fonte: www.dalailama.com


  1. Rumor (Reply) on sábado 10, 2011

    At last some rationality in our litlte debate.

  2. Olga Lustosa (Reply) on sábado 10, 2011

    I travelled 1.600 km, from Cuiabá to Sao Paulo to see the Dalai Lama. It was so much worthing!!! Evitei o tradutor, me concentrei nas palavras dele, porque queria senti-las profundamente, vindas diretamente dele. Vivi momentos de quase torpor…Uma alegria imensa ao chegar, 2 horas antes, entrar na fila que já se formava, sentar-me e esperar. Devagarinho o vulto surgiu. Um homem de beleza e pureza impressionantes. Estou felicíssima por haver conseguido comprar um ingresso e ganhar outro. Portanto eu assisti duas palestras que nortearam minha vida, de hoje para sempre. Obrigada!

    • Eloise (Reply) on sábado 10, 2011

      That insihgt’s perfect for what I need. Thanks!

  3. Lila Reys (Reply) on sábado 10, 2011

    Uma de minhas aspirações é ouvir o Dalai Lama. Somente hoje soube de sua vinda ao Brasil e, como moro em Minas Gerais, não há mais tempo…
    Desejo paz e alegria aos que terão o privilégio de ouvi-lo e que possam receber, no cofre do coração,
    o tesouro de sua palavra iluminada, compartilhando-o com os famintos de luz.

  4. Ubirajara Torança (Reply) on sábado 10, 2011

    Ouvir as palavras de um homem que tem grande conhecimento da verdade absoluta, poderia mudar completamente a compreenção do nosso crescimento espiritual.

  5. Jussi szilagyi (Reply) on sábado 10, 2011

    Fico muito comovida e reconheço algo dentro de mim que se abre inteiramente às histórias /lembranças que Sua Santidade relata de uma forma tão simples e verdadeira!!!É tão inspiradora sua sabedoria cheia de humildade e compaixão.
    esta é a terceira visita da qual tenho o privilégio de participar.Como budista discípula do Venerável Bokar Rimpoche sei que é um imenso presente poder participar deste novo encontro!

    • Diandra (Reply) on sábado 10, 2011

      Deep tihnikng – adds a new dimension to it all.